Controlo parental on ou off?

Longe vão os tempos em que a Filha só via os desenhos animados fofinhos do Disney Junior. Agora é mais Panda, já houve umas espreitadelas ao Panda Biggs e será escusado dizer que ela já domina aquela coisa de ‘puxar atrás’. Se o cérebro d’A Mãe fosse um painel eletrónico, era agora que se acendiam não sei quantas luzinhas vermelhas. É impressão nossa, ou há mesmo muitas séries por aí onde as raparigas só pensam em ficar bonitas e famosas… além de arranjar namorados, claro!? Já não há pachorra para ouvir a Sissi a falar do Franz! Ou as Winx, sempre atreladas aos namorados! Que saudades da Doutora Brinquedos e da Princesa Sofia! E isto vai subir de nível depressa, não vai? Não tarda nada estamos a levar com os Morangos com Açúcar. Ou a Chica Vampiro. E algo nos diz que o Max desta história não é um cão!

Foi aqui que entraram os controlos parentais. Bloqueamos o Panda Biggs e o Disney Channel. No tablet dos jogos, desativamos a ligação automática ao wi-fi (e isto a Filha ainda não aprendeu a mudar). Somos adeptos do ensinar a lidar com os perigos, em vez de os esconder. Mas tantos canais, não sei quantos gadgets, internet e afins, misturados com mais tarefas domésticas do que as que gostaríamos de ter, resulta em… mistura explosiva! Ajuda precisa-se! Acabar com as tecnologias em casa? E perder tantas oportunidades! Hmmm, não é mesmo viável. Além do mais, isso ia tornar muito difícil sabermos alguma coisa deste assunto. Bem, está decidido: bloqueamos, pelo menos por enquanto.

E o vosso controlo parental, está on ou off?

PS: A Nintendo tem um vídeo giro sobre isto:

Boas leituras e muita felicidade!

Mãe

Das descobertas de verão: Panda, já eras!

É de nós ou o Gato da Cartola é mesmo uma bonecada espetacular? Andávamos muito distraídos! Atualmente, em casa, vemos mais o Panda (antes era o Disney Júnior). Mas estas férias não tivemos tv cabo (nem internet, nem rede móvel, mas falamos disso depois). Foi assim que ‘descobrimos’ o Zig Zag. Em especial o Gato da Cartola. Depois de ouvir a Filha dizer, várias vezes, ‘nunca mais dá o Gato da Cartola’, acabamos por prestar mais atenção. E, no meio da epidemia das princesas (foi a Avó que se saiu com esta pérola), aquela bonecada é um bálsamo.

Tontices, palavras inventadas, nomes estúpidos, ironia, humor inteligente e personagens intrigantes não surgem muitas vezes associadas a conteúdos educativos. E que belas duplas se formam, que põem as crianças a pensar, rir, questionar, imaginar e outras coisas giras! À beira das perguntas parvas com que os Monster Machines e o Mickey acham que ensinam alguma coisa de jeito, isto são diamantes. Que aventuras maravilhosas pelo mundo, à boleia da engemágica. E que descobertas: como se faz e molda o vidro, de que forma o polvo se defende de animais venenosos e porque temos roncos na barriga. Tudo com muita imaginação, música e humor à mistura.  E, imagine-se, sem moralismos ocos, do tipo Sissi ou mesmo Princesa Sofia, fofinhas, perfeitinhas e bondosas. Adoraaaaaamos!

No fim de tudo, pelas 21h, vem o ‘Vitinho’. Isto, para nós, foi um bónus (alguém gosta de dar essa péssima notícia do ‘está na hora de dormir’?). Sim, porque dar a canção de embalar e depois continuar a dar desenhos animados (Panda) é batota! E, imagine-se, tudo isto sem publicidade pelo meio. Parece mentira, não é? Verdadeiro serviço público.

E vocês, já se aventuraram na engemágica?

Abraço
A Mãe

Telemóvel na escola?

Hoje a Filha pediu para levar o telemóvel para a escola. Saiu-nos um não… mas só porque sim. É que o telemóvel “dela” nem dá para fazer chamadas. Estava lá por casa, numa espécie de sucata de tecnologias [o Pai é mesmo daqueles engenhocas que desmonta e monta tudo e não quer deitar nada fora]. Portanto, este telemóvel é mais um brinquedo. Está-se mesmo a ver que a Filha veio com o argumento dos costume: Mas a não sei quantas leva! Para esta temos o velho lamiré: Os pais dela sabem da casa deles, nós sabemos da nossa! E ficou-se por isto mesmo.

Mas claro que a Mãe se pôs logo a pensar [ainda por cima tinha ouvido falar há dias de um “terrorismo do não“]. O certo é que a Filha já tem levado outros brinquedos para a escola. Porque não este? Só porque é tecnológico? Isso faz algum sentido? Não estamos a diabolizar as tecnologias? No fundo, as tecnologias por si só não são capazes de muito. Dependem do que fazemos com ela.

E vocês, deixam levar o telemóvel para a escola? De brincar ou “a sério”?

Boas leituras e muita felicidade!

Mãe

Os nossos nomes online

A Filha viu ontem o blog pela primeira vez. E lemos-lhe o post sobre o tablet dos jogos. Ela ouviu como se lhe estivéssemos a contar uma história e pareceu gostar 🙂 No final até tivemos sessão de perguntas e respostas:
Filha: Porque está a Filha em vez do meu nome?
Mãe: Era giro ter os nossos nomes não era? (Já disse que aprendemos estas coisas giras sobre reconhecer os sentimentos e perspectiva das crianças e da Parentalidade Positiva com a Magda? A Magda é fixe e recomenda-se).
Filha: Era.
Mãe: Mas para já não sabemos quem vai ver.
Filha: E podem ser pessoas más?
Mãe: Pode acontecer.

Parece que esta ideia de ter um blog está a sair melhor que a encomenda!

[Em modo de reflexão: Parece-nos que há situações em que até pode ser vantajoso divulgar nomes e fotos online. Afinal, a internet é uma ferramenta fenomenal para a partilha de experiências ou para assuntos mais delicados, como pedidos de ajuda e denúncia de abusos. Talvez o princípio deva ser o de reflectir caso a caso, se é que isso pode ser considerado um princípio :-P]

E vocês, como conseguem manter debaixo do mesmo tecto crianças e tecnologias?

Boas leituras e muita felicidade!

Mãe

O tablet dos jogos… ou ideias para resistir a atirar tecnologias pela janela

O Pai Natal este ano trouxe um tablet que, meio sem querer, meio propositadamente, ficou a chamar-se o tablet dos jogos (e não o tablet d’A Filha, que foi quem o recebeu). Aconteceu assim: a Filha desembrulhou-o e exclamou, entre uaus! e eais!: um tablet só de jogos! [foi mesmo surpresa, não estava na carta ao Pai Natal]. Mas rapidamente passou para a prenda seguinte e ficamos por isto mesmo. Só no dia seguinte é que as coisas começaram a aquecer. Na barafunda do costume para sair, atiramos com um: agora tens de deixar o tablet! Levamos logo de seguida com outro: o tablet é meu, eu faço o que quiser com ele. Pára tudo! Entra a Mãe: foste tu que o recebeste mas é para ser usado por todos, para jogar [ela nem tinha pensado muito no assunto, foi o que lhe saiu].

[Esclarecimento: Nós já tínhamos um tablet, mas é mais um mini-computador, daquelas extravagâncias que a Família só pode fazer muito, mesmo muito de vez em quando! Pelo que a Mãe e o Pai fartaram-se de tanto aviso – cuidado, se esse partir não há outro- e resolveram aproveitar o Natal para oferecer um que fosse mais adequado para as crianças.]

Mas voltando ao assunto…

Nem tínhamos pensado em chamar-lhe o tablet dos jogos. Mas é frequente usarmos o outro para trabalho e a Filha já tinha dito que gostava de ter um só para jogar. E assim ficou o tablet dos e jogos e não o tablet d’a Filha, o que está a facilitar quando chega a hora de dizer chega! É mesmo incrível o poder das palavras!

E vocês, como fazem para não atirar tecnologias pela janela?

Boas leituras e sejam felizes!

Mãe

Crianças e tecnologias: O que é e como se pode pôr em prática um uso saudável?

No dia 22 de novembro (2014) o Jornal de Notícias dava conta de um estudo sobre o uso de tecnologias por crianças e os seus riscos. O artigo tinha como título: “Menores confessam ter-se encontrado com estranhos do Facebook”. A notícia foi replicada no jornal online Notícias ao Minuto, onde se anunciava: “Estudo: Jovens procuram amigos e sexo no Facebook junto de desconhecidos”.

Estas ‘notícias’, em particular o segundo caso, têm consequências graves para as crianças. São exemplo de um péssimo ‘jornalismo’, que generaliza com base em dados circunstanciais e gera pânico. Por outro lado, o texto do Notícias ao Minuto extrapola de forma abusiva e muito pouco ética a relevância que o sexo tem na vida das crianças e no uso que fazem das redes sociais. Sem desmerecer o eventual mérito do estudo, o certo é que a notícia transmite uma imagem muito pobre do papel que a tecnologia tem na vida das crianças. E, em relação aos riscos, diaboliza as redes sociais, quando aquilo de que realmente precisamos é questionar, ouvindo também as crianças, perceber o que as motiva, identificar as necessidades que requerem a nossa atenção e agir. Proibir o uso não só não resolve nada, como cria novos problemas e riscos.

Foi com estas preocupações em mente (e no coração) que nasceu este blogue. É profundamente injusto reforçar uma imagem tão limitada daquilo que as crianças fazem com tecnologias. As crianças estão tão somente a ser crianças, a viver no mundo em que efetivamente vivem, a brincar, experimentar, aprender e crescer. Vivem e aprendem a viver no presente, com todos os problemas e oportunidades que este pode ter. E é para lidar e aprender com esta realidade que precisam de ajuda e apoio.

É realmente urgente mudar, questionar, compreender e divulgar uma imagem mais complexa e ‘real’ do dia-a-dia das crianças e da sua relação com as tecnologias. Com este blogue esperamos partilhar experiências e opiniões, conhecer e contactar com crianças, famílias e educadores, investigar, agir e procurar respostas para as muitas dúvidas que o acesso a tecnologias por crianças nos coloca. Afinal, o que é e como se pode pôr em prática um uso saudável de tecnologias por crianças? Vamos descobrir? 🙂